me peguei analisando o paradoxo de quem ergue um muro imaginário ao redor dos seus desejos, ao mesmo tempo em que permite que cada ação externa chegue entre. É como alguém que, ao assinar um contrato sutil de autonomia, veste uma armadura revestida de convicções bem posicionadas, mas ainda insiste em permitir que o eco de cada opinião atravesse a couraça. Transita em território sensível, onde liberdade e apego se entrelaçam a ponto de embolar, e se desfazerem nas próprias definições. Num instante, olha para os próprios planos vendo determinação sólida, capaz de cortar impeditivos. Outro, recolhe os fragmentos restantes do apego e absorve indiretamente a reflexão alheia, moldando-se em meia decisão. É uma dança lenta, silenciosa e quase venenosa, entre a afirmação concreta e o receio dos resultados provenientes de escolha própria. O lado que desce nessa balança não é uma rigidez intransigente nem a permissividade desgovernada, mas uma postura delicada quase que indecisa, que vaga até que um dos dois lados pese mais.